Ex.: graça
Ex.: Gen 1.1-10

ARTIGOS - Nossos dias

PRECISAMOS DE UMA NOVA REFORMA
31 de outubro de 1517

Em homenagem aos 492 anos da Reforma Protestante.
O século XVI parece não ser muito diferente da realidade pervertida e imatura de inúmeras igrejas que se auto-intitulam protestantes no século XXI.

A cegueira espiritual da Idade Média insiste em permanecer ativa. Talvez mascarada, mas não menos destrutiva. Não é muito difícil ouvir durante a exibição de filme, alguém caçoar das infantilidades e abusos da Igreja Católica no tempo de Lutero. O que tais pessoas não querem ver é que as mesmas atitudes bizarras podem ser contempladas, de maneira sutil, em várias igrejas evangélicas.

Católicos e neo-pentecostais, que diferença há? A autoridade papal se reveste na pessoa intocável do pastor. A venda de indulgências se disfarça no comercio das bênçãos e nas ameaças acerca do dízimo. A coleção de relíquias sagradas surge na venda de óleos de Israel, estrelas de Davi, rosas ungidas, sabonete da purificação, bombons do amor, cordões para amarrar o diabo e outras loucuras que se contássemos no século XVI talvez nem os padres acreditariam.

Os famosos Concílios da época de Lutero, mais se pareciam com um tribunal, não muito diferente dos sombrios Conselhos das igrejas “evangélicas” atuais, que se reúnem para condenar aqueles que ousam pensar. O jogo do poder embutido na politicagem eclesiástica não carece comentários. A dominação humana é tão descarada que causa ânsia de vômito em qualquer cristão com um pouco de inteligência.

As 95 teses de Lutero afixadas da Catedral de Wittenberg não confrontava apenas a Igreja Católica Romana da época, mas a Igreja Protestante dos séculos vindouros. Há algum tempo atrás um programa com uma câmara escondida, exibiu uma certa cena em um culto de uma Igreja neo-pentecostal que mais cresce no Brasil, fazendo liquidação das bênçãos de Deus, para  aqueles que contribuíssem com mais dinheiro, garantindo que seriam mais abençoados.

Propagandas de televisão desta mesma Igreja convidam pessoas para banhar-se nas águas do Rio Jordão – para serem purificadas e abençoadas. Para o culto do descarrego com sal grosso e outras práticas totalmente sem respaldo das Escituras.

Doutrinas que assemelham (para não dizer que copiam) das: católico romanas, judaicas, espíritas e até mesmo umbanda. O pior é que os membros, conselhos ministeriais e assembléias gerais parecem fazer vista grossa frente à tamanha distorção bíblica. Em meio a este sincretismo religioso disfarçado de novas estratégias para o crescimento da Igreja percebe-se um estupro dos ensinos de Cristo Jesus.  Tal realidade é uma agressão moral ao caráter de Deus.

Os cultos giram em torno de temas como: dinheiro, demônios e enfermidades. Pode-se freqüentemente observar práticas pagãs, bastante comuns no catolicismo popular e mesmo na umbanda, como distribuição de "fitinha da prosperidade", "sal grosso", “sabonete da purificação”, “espada da vitória”, “chaves do sucesso”, “rosas ungidas”, “cruz do triunfo”, lenços, rituais de descarrego com "arruda" para dar sorte, água benta, óleo ungido etc. Cada hora surge novas esquisitices disfarçaas como novas “revelações” : Crise de risos, cair no poder, profetas que sopram, jogam o paletó e multidões caem. etc..
A igreja do século XVI não incentivava as pessoas a estudarem a bíblia. A maioria das igrejas evangélicas atualmente também não incentiva. A argumentação é a mesma: “não precisa de conhecimento, pois a letra mata”. Contudo, quem era Lutero? Simplesmente um homem com dois cursos superiores e com doutorado em teologia. Uma perguntinha não para de cutucar: já que a letra mata por que Deus não usou um leigo para reformar a Igreja?


O Lutero que tão bravamente concretizou a Reforma Protestante não teria que alterar nada das suas declarações para a igreja do século XXI, pois tanto as Católicas, quanto as Evangélicas estão novamente precisando de uma Reforma. Que Deus nos ajude!

 

Pr Jorge O. Bezerra
Teólogo, Escritor e conferencista
Mestrado em Divindade na area de Ministério Urbano
Igreja Batista Brasileira Central da Florida- Deerfield Beach
Autor dos livros: “Religiosidade? Nunca Mais!” e “Terceiro Milenio! E agora?”

 

   
   
   
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